Paróquias preparam-se para peregrinação ao Santuário da Muxima

Paróquias preparam-se Santuário da Muxima

As diversas paróquias existentes na provincia de Luanda, nos dias que correm, preparam-se para a peregrinação ao Santuário da Muxima, uma actividade anual dos fiéis católicos, a decorrer de 31 de Agosto a 1 de Setembro do corrente ano.

Na paróquia da Nazaré, foram abertas inscrições para que os fiéis interessados, em uníssono, partam para o local em caravanas devidamente organizadas pelos seus responsáveis religiosos.

Segundo constatou a Angop no local, no âmbito da preparação, os religiosos manterão ainda algumas reuniões, a fim de serem esclarecidos sobre a real missão que os leva ao Santuário da Muxima.

De recordar que, em 2012, a paróquia da Nazaré fez-se representar na Muxima com mais de 550 fiéis, sendo que alguns haviam partido por meios de transportes pessoais.

Por outro lado, na paróquia de Santo António, sita no Kifangondo, os encontros em torno da partida dos fiéis que aí celebram as missas, está entre as informações disponíveis sobre a actividade.

Prosseguindo, Francisco Lumuangano, pároco de Santo António, avançou que a ideia é seguir as pisadas do ano transacto, no qual, os religiosos daquela paróquia partiram em caravanas com autocarros.

Nas demais paróquias da cidade, Cristo Rei, Nazaré, São Domingos e outras, o cenário não muda, responsáveis criam condições para facilitar a partida dos seus fiéis.

Enquanto isso, o Governo Provincial de Luanda, criou uma comissão e várias subcomissões de trabalho, com a missão de velar pela questão organizacional, segurança, logística, saneamento e iluminação pública, antes, durante e após o evento.

A comissão geral será coordenada pelo vice-governador provincial para a área social, Adriano Mendes de Carvalho, englobando as sub-comissões para organização liturgia e protocolo, transportes e tráfego, energia e águas, saúde e primeiros socorros, actividades comerciais e alojamento, embelezamento, som palco, iluminação e comunicação social.

Este ano, a peregrinação ao Santuário da Muxima decorre sob o tema “Família levanta-te e caminha, família e cultura”.

No primeiro dia haverá cânticos, confissões, catequeses, via-sacra e a missa de abertura que será orientada às 18 horas, por Dom Joaquim Ferreira Lopes, bispo de Viana.

Fonte: ANGOP

Angola vai acolher a próxima cimeira ordinária da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), agendada para Dezembro deste ano, soube-se quarta-feria, em Nairobi (Quénia), no término da sexta cimeira extraordinário desta organização regional.

Angola participou no encontro com uma delegação multi-sectorial chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, em representação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

A cimeira manifestou o seu apoio às conversações de Kampala entre o governo da RDCongo e o Movimento M23, tendo apelado às partes a concluirem o mais rapidamente possível o acordo de paz.

Os Chefes de Estado e de Governos ou seus representantes reafirmaram o seu apoio ao mandato da brigada de intervenção, com vista a se por fim às forças negativas, em conformidade com a resolução da CIRGL e do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A RDCongo e o Rwanda foram encorajados a prosseguir com as discussões bilaterais, tal como o fizeram antes da actual crise, na busca de confiança e cooperação entre si, enquanto que o Sudão e o Sudão do Sul foram recomendados a manter os mecanismos de entendimento para resolver de forma bilateral e pacífica os seus diferendos.

Constaram igualmente das recomendações a mobilização de recursos para a gestão dos programas e projectos de desenvolvimento regional e a promoção de eventos culturais e desportivos, visando o reforço das relações entre os povos e a elevação da segurança, estabilidade e desenvolvimento.

Integraram a delegação angolana o ministro da Defesa Nacional, Cãndido Van-Dúnem, o secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Augusto, o director para África do Ministerio das Relações Exteriores, Joaquim Espírito Santo, Embaixador de Angola no Quénia, Ambrosio Lukoki, e o director e coordenador da Região dos Grandes Lagos, Coimbra Baptista.

Os membros da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos Sao: Angola, RDCongo, Congo, República Centro Africana, Zâmbia, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Quénia, Burundi, Rwanda e Uganda.

Don Gabriel Mbilingi

Don Gabriel Mbilingi

D. Gabriel Mbilingi assume liderança da SCEAM e lembra conflitos no continente
O arcebispo angolano D. Gabriel Mbilingi foi eleito como novo Presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (SCEAM), após a reunião plenária desta organização episcopal em Kinshasa, República Democrática do Congo (RDC).
O arcebispo de Lubango disse à Rádio Vaticano que a prioridade para os membros do organismo deve passar por promover a “comunhão”, com “sensibilidade aos problemas que se vivem em cada região”, bem como “a justiça e a reconciliação”.
Os participantes deixaram em particular uma mensagem sobre a situação na RDC, lembrando uma guerra que fez seis milhões de mortos em 20 anos.
Os bispos “convidam todas as partes envolvidas a procurarem uma solução para esta guerra e a trabalharem ativamente pela paz”, fazendo um apelo nesse sentido junto das Nações Unidas, União Europeia e União Africana.
D. Gabriel Mbilingi abordou ainda a situação “muito especial” na República Centro-Africana e no Egito, cujos bispos estiveram ausentes.
“Queremos ver uma África mais reconciliada, mais justa, com maior garantia de paz”, precisa.
Os bispos do SCEAM adotaram um plano estratégico de cinco anos que inclui projetos em matéria de governação e formação em práticas democráticas, entre outros.
“As linhas de força estão estabelecidas num plano estratégico, pastoral, de 2013 a 2018, pelo que nos próximos tempos, nós poderemos ver como concretizar realmente o que lá está traçado”, refere o novo presidente.
Na mensagem final da assembleia plenária, divulgada pela Agência Fides, do Vaticano, os bispos africanos convidam todos os cidadãos do continente “a envolverem-se com urgência na luta por uma ordem social justa, onde todos possam gozar dos direitos associados à sua dignidade humana”.

Foi com profunda tristeza que a Arquidioceses de Luanda recebeu a notícia do falecimento do Reverendo senhor padre MANUEL DE SOUSA GONÇALVES ocorrido no passado dia 29 de Julho de 2013, em Braga/Portugal, Vítima de doença.

Padre Manuel Gonçalves, de nacionalidade portuguesa, nasceu em Folgosa/Maia, a 8 de Dezembro de 1935.

Sacerdote. Membro da Congregação do Espírito Santo, desempenhou o serviço missionário em Angola nas dioceses de Malange, Huambo e Luanda. Foi porta-voz e responsável do secretariado da pastoral da CEAST; membro da comissão instaladora e administrativa da UCAN Universidade Católica de Angola e assistente pastoral na Paróquia de São Pedro Apostolo/Luanda.

A arquidiocese de Luanda, por esta Chancelaria, COMUNICA aos sacerdotes, Religiosos e Religiosas em serviço na arquidiocese, e ao Povo Santo de Deus que Sua Excelência Reverendíssima Senhor Dom Damião António FRANKLIN, arcebispo metropolita de Luanda, presidirá à missa pela alma do Reverendo Padre Manuel de Sousa Gonçalves, celebra-se esta sexta feira dia 02/08/2013 as 18 horas e 30 minutos na Sé catedral de Luanda.

Suas Excelências Reverendíssimas Dom Damião António Franklin, Arcebispo Dom Anastácio Kahango e Dom Zeferino Zeca Martins, Bispos auxiliares de Luanda, os missionários e todos os Co diocesanos de Luanda apresentam à Família do Reverendo Pe. Manuel Gonçalves e à Congregação do Espírito Santo-Província de Angola os sentimentos de pesar e ao mesmo tempo, associam-se à dor rezando pelo eterno descanso de sua alma.

Pela arquidiocese de Luanda

O Chanceler

Padre António Lungieki Pedro Bengui

Núncio Apostólico Vista Menongue

Núncio Apostólico visita Diocese de Menongue

O Núncio Apostólico em Angola concluíu recentemente a sua primeira visita à a Diocese de Menongue, na Província de Kuando Kubango.

Dom Novatus Rogambwa foi recebido pelo Governador local, Francisco Higino Lopes Carneiro,  a quem manifestou maior engajamento da Igreja com as autoridades ao serviço do bem comum.

O representante do Papa em Angola deslocou-se aos municípios de Mavinga e Cuchi, onde manteve encontros com as diversas congregações.

Dom Mário Lucunde, Bispo da Diocese, manifestou-se satisfeito e, emocionado, descreveu a vista como sendo um acto histórico que marca os novos tempos da comunidade diocesana.

Esta é a primeira visita de um Núncio Apostólico à Diocese de Menongue.

A convicção foi partilhada por Zeferino Estevão Juliana, reagindo a sua eleição como novo presidente da UNIAPAC-Africa. Estevão Juliana foi eleito no fim dos trabalhos da organização, encerrados recentemente, em Yaoundé, Camarões.

Zeferino Juliana é presidente da Associação de Cristã de Gestores e Dirigentes, em Angola, defendeu que vai levar em conta os princípios bíblicos na inspiração da ética na coisa pública.

“Vamos criar, trabalhar para uma melhor consciência para uma sociedade sustentável para a vivência humana à luz da doutrina social da Igreja a partir da bíblia”.

O organismo angolano que reúne no seu seio empresários públicos e privados é único nos países falantes de português, em Africa e existe desde 2009. Inspirado na ética cristã de gestão, com a sua congénere portuguesa tem estado envolvido num conjunto de reflecções sobre a ética na gestão da coisa pública, como valor fundamental da sua existência.

O encontro que elegeu o angolano Zeferino Juliana teve como lema “Empresário e dirigente cristão Africano levanta – te”. Ao evento estiveram presentes 750 delegados vindo de muitas partes do mundo, não só os da África, mas também da Europa e América Latina. Angola fez-se representar com 34 delegados.

Governo e Arquidiocese do Lubango reabilitam Missão Católica do Jau, no município da Chibia, província da Huíla.

A primeira fase das obras já decorre. O Vigário geral da Arquidiocese do Lubango, padre Domingos Maurício, espera que o empreiteiro cumpra o prazo estabelecido para a conclusão da empreitada.

As obras estão orçadas em mais de 83 milhões de Kuanzas e têm duração estimada de 100 dias.

A Missão do Jau destaca‐se na região Chibia/Gambos. Fundada em 1889, é uma referência na formação das populações locais.

A participação do Governo na sua reabilitação foi recentemente anunciada pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, que considerou urgente a modernização da infraestrutura afecta à Igreja Católica.

Destaca‐se ainda na região Chibia/Gambos, a Missão do Jau, fundada em 1889, cujos edifícios definitivos, de 1944 e 1955, se encontram em razoável estado de conservação. Conhece‐se a pequena igreja, com frontaria rematada por frontão reto e beiral, torre lateral encimada por coruchéu, e dois edifícios do seminário, em pavilhões isolados, de dois pisos, com coberturas de quatro águas.

Dom Almeida Kanda, Bispo de Ndala-Ntando e presidente da Comissão da Educação da CEAST para as escolas Católicas, mostrou-se preocupado com relacionamento entre as Escolas Católicas e o Ministério de Educação, em recentes declarações à Emissora Católica de Angola.

Segundo o Bispo, o atual momento do relacionamento baseia-se no desconhecimento do protocolo, assinado entre o Governo de Angola e Igreja Católica. Para se ultrapassar o problema as Escolas Católicas em parceria com o Ministério da Educação com apoio das direções províncias, municipais vão trabalhar no sentido de que todos possam assumir aquilo que esta plasmado no documento.

Por outro lado o prelado lembrou que, as dioceses fazem o que está a seu alcance para elevar os níveis do ensino, indo além da simples instrução. A educação como proposta de valores faz com que a acolha os jovens despertando neles o sentido profundo da vida. Sem proselitismo para a adesão da fé católica, a escola acolhe a todos: Porém, “a missão da Escola Católica é evangelizar”, disse

O tema marcou os debates do XIº Encontro que aconteceu este ano em Benguela, com o tema: Escolas Católicas Rumo ao Ensino de Qualidade”.

Declaração do Xº Encontro das Escolas Católicas de Angola

De 21 a 23 de Maio de 2013, na Diocese de Benguela, no salão da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Município da Catumbela, Província de Benguela, sob a presidência de Sua Excelência Reverendíssima Dom Almeida Khanda, presidente da Comissão Episcopal da Educação, realizou-se o X Encontro Nacional das Comissões Diocesanas da Educação em Angola, sob o lema: «Escolas Católicas Rumo ao Ensino de Qualidade». O referido encontro contou com a participação’ dos delegados de todas as dioceses de Angola, expecto a do Dundo, num total de 108.
Dois temas motivaram as reflexões do encontro: 1°) «Pressupostos e contribuições para o ensino de qualidade e análise das políticas educativas do executivo angolano»; 2°) «Linhas orientadoras das escolas católicas segundo o pensamento da Igreja». Após as reflexões sobre o tema, seguiu-se a partilha de experiências sobre as actividades realizadas em cada uma das dioceses presentes no que concerne a educação e ensino nas escolas católicas.
Da abordagem dos temas e das experiências partilhadas, os delegados chegaram às seguintes constatações e recomendações:


I-CONSTATAÇÕES:
•    A escola católica reafirma-se como uma instituição cuja finalidade é de perpetuar a missão salvífica de Cristo.
•    Compete à escola católica cultivar com assíduo cuidado as faculdades intelectuais, criativas e estéticas do homem, desenvolver correctamente a sua capacidade de julgar, a sua vontade e a sua afectividade, promover o sentido dos valores, favorecer justas atitudes e comportamentos.
•    A escola católica, em virtude da sua missão e vocação prima por uma educação de qualidade.
•    O conceito de qualidade de ensino é complexo e envolve múltiplas dimensões extra e intra-escolares.
É fundamental que todas estas dimensões sejam valorizadas pelos actores educativos em busca da qualidade do ensino.

II-RECOMENDAÇÕES:
•    Que a escola católica adopte uma atitude permanente de auto-avaliação, com vista ao cultivo da sua identidade própria e ao serviço da excelência edueativa.
•    Que a escola católica a exemplo da pedagogia de Jesus de Nazaré se coloque ao serviço da vida, alimentando a esperança e o optimismo, num contexto onde reina a desesperança e o desencanto.
•    Que se retome tanto ao nível eclesial como ao do Estado o projecto da elaboração dos manuais de Educação Religiosa Cristã e Moral nas escolas católicas.
•    Que se criem mecanismos entre as comissões diocesanas de educação e as direcções Municipais e Provinciais de educação, em vista a um bom relacionamento ‘e parcerias, dado que em várias Províncias (Dioceses) a aplicabilidade do Protocolo sobre a Educação entre a Igreja Católica e o Estado Angolano têm suscitado alguns mal-entendidos.

Benguela, 23 de Maio de 2013
Os participantes

 

 

Casamento jovem,  A Feitiçaria, Independência do CNJ, Proveitos da Paz

Protagonista de um rico bate-papo sobre a juventude, mantida com a Rádio Ecclesia: Padre Armando Pinho Alberto, Rendetorista, Vigário paroquial da Sagrada Família, Assessor Nacional da Juventude Católica em Angola, trabalhando com este sector há mais de duas décadas, a percorrer o país de lés a lés. A conversa aberta ocorreu em Julho último, abordando os temas candentes da actualidade juvenil: as manifestações, o casamento jovem, a feitiçaria, o CNJ, a droga, a paz, as eleições. De acompanhar, neste dossier, o intenso e cativante diálogo, conduzido, do lado da emissora, pelo Padre Kandanji.

Rádio Ecclesia (RE): Qual é o estado atual da juventude em Angola?

Padre Armando Pio Alberto (P. APA): O estado actual da juventude em Angola é promissor. A juventude está animada, tem ideais, objetivos, propósitos; há exceções e essas exceções acontecem pelas circunstâncias que esta mesma juventude viveu. Promissor porque a juventude sonha com o futuro, está empenhada em estudar, trabalhar, embora cada qual não esteja a fazer tudo aquilo que gostaria de fazer.

RE: O que é que gostaria de fazer?

P. APA: Ter mais oportunidade, mais momento de formação, poder ter.

RE: Trabalhando com a juventude mais de duas décadas, sente-se realizado como padre?

P. APA: Eu também comecei como jovem, no meio de outros jovens, talvez aí seja a razão das duas décadas. È sempre um aprendizado, não posso dizer que eu me sinto realizado. A cada passo, aprendemos coisas novas.

RE: Neste tempo que está com a juventude qual é o acontecimento que mais lhe marcou?

P. APA: Marcou-me primeiro o momento em que estávamos ligados a um projeto de formação em parceria com PNUD –UNICEF, de jovens da faixa etária dos 15 aos 25 anos, a fase em que os jovens têm que se inserir na sociedade ativa. Marcou-me bastante, pelas temáticas que nós fomos facilitando para que os jovens pudessem despertar para esta realidade. Por exemplo, a gestão de conflitos, o HIV/SIDA, o empreendedorismo … Estes momentos foram gratificantes porque você percebe nos jovens a sede de querer ser, de querer saber pelas perguntas, os contextos de comparação que eles colocam. Pude confirmar afinal que não temos uma juventude passiva. Outro marco foi aquando da vinda da sua Santidade Papa Bento XVI. Concentramos aqui mais ou menos 2.000 jovens vindos de todas as dioceses. Passaram uma semana de formação, de oração e, depois, houve aquela massa, aquela moldura juvenil nos Coqueiros, a mensagem do Santo Padre para os jovens e aquela tragédia com duas jovens da paróquia de São Pedro.

RE: Justamente, a respeito daquela tragédia, como ficou o acompanhamento da família?

P. APA: A pastoral arquidiocesana de Luanda assumiu este acompanhamento tanto que em Março de cada ano, nós fazemos uma missa em que juntamos todos os parentes. Este ano fizemos e foi na igreja redentorista da ilha.

RE: Como Redentorista isto está dentro do seu carisma de trabalho?

P. APA: Sim, nós trabalhamos por opção preferencial com os pobres.

RE: Os jovens não são os mais pobres?

P. APA: Se olharmos só aquele escalão universitário, então diremos que os jovens não são os mais pobres, mas muitos são pobres na maneira de formular o próprio pensamento, de aprofundar a própria vida, de buscar horizontes porque muitos se deixam levar facilmente por aquilo que nós chamamos de moda.

RE: Como está a vossa presença no Conselho Nacional da Juventude (CNJ)?

P. APA: Este é uma questão que temos vindo a ponderar. Já estivemos, mas saímos porque não nos revíamos naquele Conselho na altura, por causa de tendências, as tendências partidárias. A nossa voz, o nosso diálogo como uma associação jovem não se faria sentir muito, então preferimos sabiamente encostar, à espera para reintegrar.

RE: Já se vê melhoria?

P. APA: Sim e já acertamos os primeiros diálogos. O vice-ministro Yaba esteve nas nossas instalações. Veio cá uma comissão do Ministério da Juventude e Desporto. Nesta comissão estava presente a vice-presidente do CNJ e disseram porque que não estávamos filiados a este fórum, se o fórum é representativo a nível nacional da juventude. Numa reunião interna do próprio secretariado e ouvido o bispo presidente da Comissão, Dom Almeida Canda, achamos por bem refazer este passo. Eles têm conhecimento e depende mais deles do que de nós, agora.

RE: Vocês não sentem falta deste organismo no trabalho que fazem?

P. APA: Não temos falta, sentimos, sim, que é necessário estarmos filiados, porque ali é um fórum onde nós podemos contribuir no diálogo da própria juventude. Por exemplo, não me consta que exista uma política nacional para a juventude, plasmada assim como tal. Pode ser que existam outras coisas que também não foram tocadas, não foram discutidas.

RE: Não há necessidade de buscar este organismo para conectar interesses porque a tendência partidária é uma coisa que nós temos que inverter nas estruturas do Estado? Aliás, o CNJ tudo quanto saibamos é apartidário.

P. APA: Há, sim, a necessidade de buscar este organismo, não só para conectar interesses. É um pouquinho complicado conceituar sobre esta estrutura. Digo complicado porque não sei se vou incorrer em erro ou não, não sei se tem um carácter independente que possa por si mesmo estabelecer princípios, metas, uma vez que ela depende de um orçamento para poder manter as suas estruturas, defende um orçamento, deve defender alguns interesses. Neste sentido é que eu digo não sei.

RE: Se os jovens não se reveem no CNJ têm que recorrer das estruturas competentes?

P. APA: Eu acho que isto é um diálogo aberto.

RE: Os jovens casam-se pela Igreja?

P. APA: Os jovens casam-se. Se entrarmos para os dados estatísticos, achamos que os jovens que se casam não correspondem à quantidade de jovens católicos existentes na idade de formar famílias. Os jovens não se casam porque hoje existem muitos mitos, estes mitos às vezes tomam primazia na vida de muitos jovens Apesar de tudo, há jovens corajosos em contramão. A minha questão é a permanência nestes jovens na vida matrimonial.

RE: O que a pastoral faz em relação a esta falta?

P. APA: É aqui onde nós temos um problema de articulação. A pastoral juvenil devia ser também vocacional e haver um elo entre a pastoral juvenil e a pastoral familiar. Esta é a grande lacuna.

RE: Vocês que estão na subestrutura das comissões episcopais, não seria de exigir da própria da Conferência?

P. APA: Nós já tínhamos feito esta exigência e até conseguido por dois anos juntar estas duas pastorais numa só. Mas a própria estrutura orgânica achou melhor separar, estimando que a nossa pastoral vocacional era direcional. Então, fica difícil articular este binómio.

RE: Nos encontros de formação que a pastoral faz aborda a questão do matrimónio? A questão da estabilidade, por exemplo, se deve só à falta da formação ou a outros fatores?

P. APA: Abordamos, mas não com mais profundidade. Em relação à instabilidade, sim, há outros fatores como a própria consciência de descartável. Quer dizer, este mundo global em que nos inserimos e do qual recebemos muitas influências, ele também nos traz esta influência de que nada é durável. A juventude descarta-se assim do cabelo postiço que usam, da calça da moda que viu no cantor X ou Y, no actor de novela, também, com facilidade, ela rompe com os compromissos que assume.

RE: O que leva os jovens a casarem neste contexto do descartável?

P. APA: É ali que começa a minha discussão e as minhas reflexões. Os jovens perdem a noção de que o matrimónio é uma vocação, o matrimónio não é uma aventura, não é uma experiência de vida que se faz, mas é a própria vida em si que se doa. Quem tem noção de o matrimónio ser uma vocação querida por Deus e que nós temos que cuidar, vai acontecer que este jovem tem que criar pré-disposição psicológica, estrutura antropológica e social para poder conviver, sabendo que teremos conflito, teremos contradições, teremos pontos de vista diferentes, mas é possível conviver, ultrapassar todas estas contradições em nome de um sentimento, que é o amor. Porque nós não só sentimos uma atração física, mas estamos unidos em pensamento, no mesmo sentimento, no mesmo projeto de vida.

RE: Não seria conveniente que esta dimensão vocacional fosse uma catequese da família?

P. APA: É isto. A família cristã deve mostrar este dado de que a vocação matrimonial é uma vocação específica, tanto quanto a religiosa, quanto a vocação sacerdotal.

RE: Além do casamento, o Papa falou do feitiço e da poligamia. Vocês têm-se debruçado sobre estes dois elementos?

P. APA: Estes são problemas que querem ser estruturais agora e que encontramos nos locais onde passamos. Normalmente aparece um jovem que vem falar desta realidade.

RE: Em que sentido falam desta realidade?

P. APA: Não vou citar aqui nomes. Numa diocese em que nós estivemos, um jovem disse assim: «ainda bem que o padre está aqui, porque muitos jovens hoje estão correr para estes lugares do feitiço, olhando para o emprego, olhando para o dinheiro, fama, sucesso, mas sem se esmerar nenhum trabalho, nem no estudo.» Tocámos então na problemática. Aquilo criou um alvoroço porque os jovens se conhecem e sabem quem é quem, com aqueles que recorrem a tais práticas, argumentando proteger-se contra aqueles que o invejam.

RE: Vocês têm uma estratégia de trabalho a este nível?

P. APA: Ainda não temos, porque um trabalho deste tipo, para ser eficaz, passa primeiro para um estudo antropológico. Mas esta é uma sociedade oculta, onde ninguém te dá informações concretas, corretas, reais sobre estas práticas. Quando você põe a cabeça nem sempre entende.

RE: E a poligamia?

P. APA: Neste ponto, encontramos argumentos muito esquisitos com, por exemplo, o seguinte: «os homens foram muito tempo para guerra, agora há poucos homens, há muitas mulheres. Então nós temos que ser caridosos». Eu pergunto: se você acha que isto é uma caridade, como é que se posiciona diante das doenças que pode adquirir? Ali, vem o mito da camisinha;

basta pegar uma borrachinha é suficiente. A nossa formação é justamente mostrar que a camisinha não é a solução.

RE: Então a sexualidade precisa de uma outra etapa na educação juvenil?

P. APA: Temos abordado este item e não só. Falamos da prostituição, das infeções sexualmente transmissíveis incluindo a ­SIDA, as drogas. Somos sensíveis a isto, mas observamos um défice na informação que se deve fazer chegar nas paróquias.

RE: Como tem feito para contornar?

P. APA: Formações. Mas às vezes nem todos chegam a participar destas formações que nós promovemos a nível nacional.

RE: O fenómeno das drogas também vos inquieta, havia uma tradição na igreja. Tem notícia de alguma organização de base ou incentivo a este nível?

P. APA: Falando de drogas, no geral, tem aquelas que a sociedade admitiu como o álcool, o cigarro – julgadas leves, mas prejudiciais à vida da pessoa. As instituições que acudiam a estas situações foram desestruturadas, sobretudo hospitais, asilos, centros de desintoxicação. Neste momento, todavia, a Igreja está a reconstruir-se e a Arquidiocese do Huambo inaugurou um centro de desintoxicação, a meu conhecimento o primeiro. Começou-se no Huambo, esperamos iniciativas em outras dioceses.

RE: Voltando à sexualidade, à prostituição, há até carismas das irmãs. Não haveria maneira de entusiasmar tais carismas a se dobrarem neste amparo humano?

P. APA: Infelizmente, neste campo faz-se muito pouco e temos muito poucas perspetivas. De carismas que eu conheça só temos as Irmãs Oblatas e também elas são diminuídas, trabalhando connosco na paróquia Sagrada Família.

RE: Os Redentoristas também têm uma especialidade nesta área?

P. APA: Em Angola não, no Brasil sim. Temos pensado nisto no projeto de reabilitação do nosso hospital do Volga, um projeto a longo prazo, que integra as vertentes da desintoxicação, a reformulação dos conceitos, a reconstrução mental, a reintegração na sociedade com outra dinâmica. Na Sagrada Família, há uma associação de alcoólatras anónimos, mas é muito flutuante, com períodos de muita gente, outros não. Tem estado o Padre Eugénio em interação constante com aqueles que gerem o grupo.

RE: Como está Angola após 10 anos de paz, com o seu olhar?

P. APA: Em muitos aspetos da reconstrução, há focos que foram tocados densamente, mas a reconstrução não são só as infraestruturas. Deve passar pela estrutura do próprio homem. Este homem que foi destruído fortemente, é preciso reconstrui-lo também. Há iniciativa como esta reforma educativa, cuja avaliação será feita a bem ou mal pelos peritos a seu tempo.

RE: Ao aproximar as eleições, qual é o seu desejo?

P. APA: Que cada cidadão sinta este voto com uma responsabilidade. Isto que nós falamos para juventude: o voto deve ser consciente para uma sociedade melhor. Depois, temos que entrar no processo de fiscalização, votei, tenho que cobrar porque votei para um ideal. Se a juventude tiver esta consciência política acredito que o nosso país poderá crescer bastante.

RE: Uma mensagem para a juventude?

P. APA: Que a juventude crie em si um betão armado espiritual, um betão forte, que não seja volúvel, hoje está aqui, amanhã está lá à procura de milagre como se fosse uma moda. Deus não nos chama a uma moda religiosa. Deus chama-nos para a religião com convicções.

RE: Como está o alento ecuménico no seio da juventude, apesar do predomínio católico, sem fanatismo?

P. APA: Eu sinto o elan ecuménico. O fanatismo não constrói. Temos vindo envidado contactos com algumas confissões religiosas, não adianta aqui chamá-las pelos nomes. Estamos a forjar, por exemplo, um novo projeto da pastoral pela música para levar também este lado avante. Já dizia Santo Agostinho “Quem reza canta”. Aliás, queremos levar as duas coisas, a música junta com a formação.

A CEAST participou na XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida em Roma no passado mês de Outubro. Esteve representada por Dom José Nambi, Bispo do Kuito e Presidente da Comissão Episcopal para as Vocações. Por sinal, a “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã” foi o tema orientador dos trabalhos. E aqui vai o depoimento de D. Nambi sobre a sua presença naquele mega evento universal, numa entrevista recolhida por Padre Quintino Kandaji, Director da Rádio Ecclésia e do jornal ‘O Apostolado’.

APOSTOLADO (APO): Como é que foi de facto a participação no Sínodo em Roma?

Dom Nambi – Foi muito positiva. Vós sabeis muito bem que Sínodo significa caminhar juntos, e umas das coisas que me impressionou foi o número dos participantes. Os padres sinodais estavam todos muito empenhados, muito activos e muito alegres, pelo facto de o Papa ter convocado o Sínodo sobre a “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”.

APO: Quando é convocado o Sínodo: segundo a necessidade ou regularmente?

Dom Nambi – Em geral de quatro em quatro anos.

Esse foi o XIII Sínodo ordinário. A sua instituição surgiu depois do Concílio Vaticano II para o Papa e os Bispos de todo mundo caminharem juntos.

APO: Então em que lugares é que se viam maiores dificuldades de caminhar juntos que exigissem de facto este Sínodo?

Dom Nambi – Este Sínodo podemos dizer que esteve na linha do Concílio Vaticano II, porque depois do Concilio continuou-se a ver como é que a Igreja devia evangelizar. O Concílio surgiu para a Igreja refletir sobre si mesma, a Igreja na sua natureza e depois também como devia olhar para o mundo. Esse sentido de ir para o mundo com atenção, não condenar o mundo, mas anunciar a boa nova de Jesus Cristo ao mundo não de forma isolada mas caminhar juntos e o Sínodo esteve também nesta linha.

APO: Ora, temos contextos diferentes, com uma Europa descristianizada e fortes ataques à fé, uma América Latina um pouco diferente e, talvez, uma África e uma Ásia muito mais dinâmica e florescente. No tocante à Europa, por exemplo, que elementos chamaram mais atenção aos padres sinodais?

Dom Nambi – É verdade. O Papa até falou da desertificação espiritual. Por isso também o Papa falou da necessidade de um encontro, de um diálogo com esses homens porque com a globalização, os problemas da secularização são muito vivos e se cria esse deserto espiritual. Apesar de tudo insistiu-se na necessidade do diálogo com o mundo descristianizado, por isso também se falou dos átrios dos gentios, o lugar do encontro com os não crentes.

APO: A Igreja deverá neste sentido começar um trabalho com os não crentes e como?

Dom Nambi – Sim, com os não crentes. Por exemplo as nossas escolas católicas e as universidades, usando meios próprios, entabularem um diálogo com este mundo, baseando-se sobretudo naquilo que é humano, que une as pessoas. Entre crentes e não crentes, há coisas que nos unem como, por exemplo, o espírito de justiça, o espírito da verdade, etc.

APO – As linhas da dinamização da educação da fé como é que ficaram balizadas então?

Dom Nambi – Que as nossas escolas sejam lugares onde se forme verdadeiramente o homem em todos os sentidos. Antes mesmo de falar do aspecto cristão, religioso, nós devemos falar da formação integral do homem com aspectos mais universais. Nas nossas escolas católicas também devemos conformar a moral cristã para esta formação integral.

APO – Mas as escolas católicas ainda têm algum impacto sobre a sociedade como a Europa de hoje, onde, para quem vem da África, choca o cenário frequente das estruturas paroquiais parecendo meros museus, com cadeiras vazias aos domingos, o padre sozinho…

Dom Nambi – Ouvindo, porque eu também não posso responder pelos europeus, os nossos irmãos Bispos, há um trabalho notável que eles estão a fazer. Uma das coisas é a preocupação para que as paróquias não sejam lugares gigantes sem vida, que haja nelas mais comunhão e sejam lugares de comunidades, onde se cultiva o humanismo. Falou-se mesmo no aspecto da liturgia ser mais viva. Também, se falou do problema dos emigrantes, vistos com o preconceito daqueles que roubam o lugar. Na Europa os emigrantes também estão a dar uma certa vitalidade às comunidades.

APO – Os próprios destas comunidades e muitos deles cristãos católicos estão fora desses espaços?

Dom Nambi – Fora destes espaços. Mas a vitalidade com que estes emigrantes vivem a sua fé também é uma maneira de evangelização. Penso que os Bispos, conscientes disso, falaram do lugar dos emigrantes nas comunidades europeias. Não devem ser só vistos de uma maneira negativa mas de uma maneira positiva. Os emigrantes também dão vitalidade às comunidades aonde chegam.

APO: Os meios de comunicação social católicos também foram visados nesse contexto da reevangelização?

Dom Nambi – Sim, os meios de comunicação social foram bem vistos, porque muita coisa passa através deles. Insistiu-se mesmo no seu valor e a Igreja convidou os seus filhos a não estarem ausentes dos ‘mass mídias’. Durante o Sínodo, vimos muitas experiências belas de dioceses que investiram muito na comunicação social.

APO: E neste sentido como é que está sendo cozinhada a orientação para o povo de Deus aqui nesta II Assembleia Anual da CEAST com a participação de um Bispo que esteve no Sínodo?

Dom Nambi – O nosso desejo, o desejo da Igreja em Angola, da Conferencia Episcopal, é que realmente os meios de comunicação, a nossa rádio continue a transmitir, a evangelizar. Que também a rádio, depressa, seja ouvida em toda Angola.

APO: Depressa quer dizer um horizonte temporal. Que esperança é que nós, os ouvintes e os fiéis, podemos ter?

 

Dom Nambi – Eu penso que não sou autoridade aqui como bispo do Bié para dizer tudo acerca desse problema, mas queria dizer que o desejo da CEAST é que realmente a nossa Rádio Ecclésia seja um meio que possa transmitir a sua mensagem por toda Angola, e fazemos votos para que realmente o problema seja ultrapassado depressa.

APO: E há também uma ideia de os Bispos poderem investir na comunicação social, de um modo local. Tem padres já formados em jornalismo?

Dom Nambi – Sim, localmente, é verdade, é nosso desejo. Penso que toda a gente dá importância à rádio, agora outro problema é como concretizar a existência da rádio nas dioceses. Penso que todos estamos conscientes da importância da rádio nas dioceses e vamos fazer com que realmente os problemas sejam ultrapassados.

APO: Sobre a temática da família, que mensagem pode partilhar com o público angolano?

Dom Nambi – O Sínodo falou muito da família como lugar da transmissão da fé cristã e a família penso que, vivendo os valores evangélicos, pode contribuir muito para a transformação da sociedade, por isso no nosso contexto angolano, penso que este ano vamos começar com o tema “Família e Cultura”. Penso que este tema é bem-vindo, vai nos ajudar muito a pensar na questão da feitiçaria na nossa cultura, quais são os valores, quais são as coisas que realmente fazem com que a família não viva bem, nela não resplenda a verdadeira vida.

APO: O que é que leva uma família ao feitiço na sua opinião?

Dom Nambi – Há muitas causas, uma das causas que se diz por aí é o poder, liderar os outros, passar por cima dos outros

 

APO: O poder deve ancorar em Cristo Jesus? Qual é a mensagem que fica nestes homens que tentam se desfazer de Deus? Deus é pesado, parece-lhes uma cruz, umas regras para os subjugar…

Dom Nambi  – Sim, sim. O poder deve ancorar em Cristo Jesus. Quanto a estes nossos irmãos que neste momento não procuram Deus como nós o procuramos, mesmo estes homens parece que no fundo deles também andam à procura de alguma coisa que dê sentido à sua vida. O Papa falou bem, ao dizer que nestes desertos espirituais também há o desejo de Deus e devemos estar atentos para, como dizia o Papa, não “cairmos em poços com água inquinadas”. Significa que precisamos ajudar os homens a encontrarem Jesus, para encontrar a verdadeira água, o verdadeiro poço, porque apesar de haver gente que não crê em Deus, anda à busca de alguma coisa. Há necessidade de nós, crentes, ajudarmos os nossos irmãos a encontrarem onde está o verdadeiro poço como o encontro de Jesus com a samaritana.

 

APO: A vertente ecuménica foi trabalhada neste sentido?

Dom Nambi – Muito trabalhada. No Sínodo transpirou-se um verdadeiro ambiente ecuménico e de díalogo inter-religioso, porque para além dos Bispos sinodais estavam Pastores de outras Igrejas, gente de outras Igrejas.

APO: Quem estava?

Dom Nambi – Não só católicos, como falaram. Falaram Metodistas, por exemplo, os representantes das Igrejas Anglicanas. Houve realmente várias expressões, isto é muito positivo no sentido de que a Igreja Católica está aberta a este diálogo inter-religioso.

APO: Dom Nambi realizou na sua diocese um Congresso dos Catequistas e no regresso do Sínodo, o que pode ser referenciado para esse projecto da nova reevangelização?

Dom Nambi – Com este congresso do catequista conseguimos alguma coisa, nem tudo, sobretudo esta necessidade de caminharmos em conjunto. Porque às vezes o catequista está lá isolado na aldeia, pensa que não tem valor. O facto de termos congregado todos os catequistas da diocese, este facto é muito importante, o facto de termos reflectido sobre a missão do catequista no mundo de hoje, quais são os problemas que se põem, os desafios na missão do catequista, isso foi muito importante.

APO: Nós temos dois tipos de catequista: o líder de comunidade, da pequena catequese rural ou comunitária e o catequista o paroquial. Constou esta abordagem?

Dom Nambi – Sim, constou. Nós convidámos todos os catequistas, mas a nossa atenção estava mais voltada para o catequista chefe da comunidade, porque este é que tem mais estabilidade, aquele que realmente exerce um papel insubstituível. Por exemplo aos domingos, lá onde o sacerdote não chega ele está a celebrar o culto, a celebração da Palavra de

Deus. Nós prestamos muito maior atenção a isto. Agora os catequistas que chamamos auxiliares, que são os catequistas paroquiais, também dedicamos muita atenção. Mas têm merecido cuidado no sentido de que estão em geral nas cidades, nas vilas e lidam directamente com o padre nas paróquias.

 

APO: Quando a CEAST fala de um catecismo para Angola refere-se a qual catequista, o da paróquia ou o líder comunitário?

Dom Nambi – Pela experiência, um catecismo para todos não é fácil. Em geral os catecismos são diferenciados. Agora nós em Angola criámos um catecismo nacional a partir do qual se podiam fazer outros catecismos locais. Este catecismo seria de inspiração porque nós temos já um catecismo da Igreja Católica, universal, a partir desse catecismo fazer os catecismos nacionais, e a partir desses fazer os locais, das dioceses, segundo as idades, as crianças, os temas, os jovens, as situações.

APO: Hoje em dia em Angola que catecismo se dá, que fé se transmite?

Dom Nambi – Isso é difícil dizê-lo, mas em cada diocese temos procurado caminhar juntos para que cada idade tenha um catecismo mais actualizado. Porque o catecismo para ser realmente catecismo tem de conter todos os conteúdos de fé, o credo, fundamentalmente. Quando se analisa um catecismo tem de ter esses pontos e depois a metodologia. Nalguns lugares a língua conta muito, há gente que prefere em língua local, em língua nacional.

APO: No âmbito pastoral, que tipos de descobertas têm levantado a necessidade de um catecismo para Angola?

Dom Nambi – É verdade que em Angola nós não temos o catecismo, temos catecismos. Temos o catecismo da Igreja Católica, que é de inspiração para todos nós. Agora, o catecismo nacional que é traduzido numa linguagem apropriada ainda não o temos. Então há necessidade de termos um catecismo nacional que seja de inspiração. Porque realmente o Evangelho tem de ser contextualizado, por isso se fala da inculturação. Agora uma coisa é o catecismo, outra coisa é a metodologia e no catecismo tem de haver esse aspecto. O conteúdo de fé e a metodologia, como apresentar por exemplo a doutrina, essa preocupação deve ser do catequista. A metodologia catequética, o catequista deve conhecer os núcleos da fé, a sua fé, a doutrina confessada pela Igreja, mas também deve saber transmitir essa mesma doutrina. Por exemplo, quando me dirijo às crianças não posso usar uma linguagem cara, uns termos muito altos. A criança fica bloqueada, não vai perceber o que eu digo. E nós temos de escolher uma metodologia, isso é muito importante na transmissão da fé.

APO: Olhando agora sob um outro ângulo, Senhor Bispo, temos também a própria referência cultural do povo. Há já um estudo de base à volta dos elementos que poderão ser reunidos como ferramentas?

Dom Nambi – No passado já se estudou, já se falou muito da inculturação no aspecto da teologia. Só queria citar aqui que o catecismo que está a ser elaborado, também adopta uma metodologia até certo ponto aceitável. Em que se fala primeiro da situação, um provérbio, por exemplo, depois iluminado com a doutrina. No aspecto metodológico, estamos a fazer assim. Este catecismo podia ser interessante a partir mesmo da cultura, quais são os dados culturais que nos podem ajudar também a explicar muito bem a mensagem evangélica, esta é a preocupação nesse catecismo que está sendo elaborado. Há esta preocupação da Igreja, de conhecer bem os valores da cultura, para que nos ajude a transmitir o evangelho.

APO: A ideia da morte nas culturas africanas é uma ideia positiva de alguma forma. Há elementos reunidos nesta perspectiva por exemplo?

Dom Nambi – Há alguns elementos. Por exemplo, a nível da Conferência Episcopal já tivemos um estudo sobre a cultura, a feitiçaria. Já há elementos, mas ainda é preciso talvez organizar bem estes elementos a nível de cada região. O que é que se pensa sobre a morte, o casamento, o matrimónio, a iniciação, depois da iniciação, há elementos que são válidos.

APO: Então ainda não há uma síntese?

Dom Nambi – Ainda não há uma síntese porque nós temos de ter documentos. A nossa questão às vezes é sermos orais, não escrevemos, às vezes nós falamos muito, nós temos de escrever e depois organizar bem, isto às vezes falta, as pessoas porem por escrito.

Há já nalguns casos artigos ou livros escritos sobre a cultura que fala por exemplo da morte, da iniciação, isso já temos, é verdade. Mas falta agora talvez no futuro unir aquilo que é comum, por exemplo o pensamento sobre a morte, o que é que diz esta cultura, pode ser que haja elementos comuns, para depois a partir daí também falarmos da necessidade de integrar esses elementos por exemplo na liturgia, na iniciação ou noutro caso.

APO: E nós temos atualmente até faculdades de teologia e há indicações de que estes lugares produzam alguma coisa para a própria inteligência da vida como a fé. A comissão de evangelização tem alguma proposta para estes lugares?

Dom Nambi – Bem, quanto a estas faculdades, este é o desejo. A Comissão de Evangelização faz apelo a todas as faculdades que estejam realmente empenhadas com o apelo que é feito pelo Sínodo. Que as faculdades teológicas façam alguma coisa na linha apologética, no sentido de apresentarmos àqueles que não creem a beleza da fé. Devia haver documentos ou então palestras que nos ajudem a perceber que é bom ter fé, a beleza da fé. E, também, seria neste Ano da Fé aproveitar aquilo que nós já temos como o livrinho “Os Cristãos perguntam”, valorizar estas iniciativas, o que é uma apresentação mais popular do conceito doutrinal. O nosso povo precisa também dar razão à sua fé, como nos pede São Pedro na primeira carta 3,15 “a razão da nossa vida, porquê nós acreditamos?”. O Papa insistiu muito: porquê acreditar hoje? Porquê ter fé?

APO: Na sua opinião o que é que ameaça a fé do Angolano?

Dom Nambi – A globalização. O mundo tornou-se uma pequena aldeia. Digo a globalização, a secularização está a afectar-nos também por cá.

APO: Há um apelo no discurso de Cristo de que a pobreza se poderia converter num apelo profundo da fé. Qual a sua visão Sr. Bispo?

Dom Nambi – No sentido positivo significa que, por exemplo, o individuo está consciente de que não tem todos os meios, mas não está agarrado, vive em paz. Significa cada um acolher a sua situação em que se encontra: é pobre, mas luta para melhorar a sua vida e, com toda esta tranquilidade, com espirito de justiça, é honesto, vive os valores evangélicos, isto para mim é que é positivo, isto pode inspirar os outros, porque a gente pode ser pobre, e ser levada a querer enriquecer rapidamente sem espírito de justiça, roubar ou odiar aqueles que têm, invejar os outros. Aquela pobreza bem encarada, da aceitação do contexto da situação em que nos encontramos, depois procurar melhorar, penso que pode ser um lugar de experiência de Deus.

APO: Neste caso, felizes os pobres no corpo e sãos em espírito porque deles é o reino dos céus?

Dom Nambi- Penso que sim.

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